Gravidez – Mulheres portadoras de doenças crônicas

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Neste artigo estarei falando a respeito da “Gravidez e mulheres portadoras de doenças crônicas” pois além das dores do parto, enjoo, náuseas, dores na coluna, durante a gravidez e muitas outras situações, elas enfrentam uma batalha contra as doenças crônicas, estou escrevendo este artigo, para estar relatando as histórias destas mulheres guerreiras e despertar a atenção da família e dos papais, a terem um cuidado mais que especial com as mamães guerreiras.

Além das dores durante o parto, ainda tem que lidar com doenças crônicas e deixam de tomar suas medicações para aliviar as dores da doença, para segurança e proteção dos seus bebês, elas são guerreiras e se sacrificam, fazem tudo pela saúde de seus filhos. Algumas doenças que fazem parte do meu dia a dia, são Espondilite Anquilosante, Doença de Crohn, Fibromialgia, muitas das vezes a Depressão vem e fica difícil de se livrar dela, poderíamos também falar da Artrite Reumatoide e Lupos, bom a lista de doenças crônicas é enorme.

Em especial neste mês de agosto, está sendo realizada a campanha de conscientização a respeito da Esclerose Múltipla Agosto Laranja. Na esclerose múltipla, as lesões nos nervos causam distúrbios na comunicação entre o cérebro e o corpo. A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica, crônica e autoimune – ou seja as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares.

Os pacientes são geralmente jovens, em especial mulheres de 20 a 40 anos. Exatamente no período em que estas guerreiras estão planejando a ter filhos, outras descobrem a doença junto com a gravidez e outras descobrem a doença após gerarem um filho ou filha, mas cada uma segue a sua batalha para fazer o melhor para seus filhos. A Esclerose múltipla não tem cura e pode manifestar por diversos sintomas, como por exemplo: fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, dores articulares e disfunção intestinal e da bexiga.

Os sintomas das doenças crônicas e autoimune são bem parecidos, poderíamos citar inúmeras doenças crônicas, como já citamos algumas, Doença de Crohn, Espondilite Anquilosante, as Espondiloartropatias de um modo geral, Lupos, Artrite Reumatoide. Entre alguns sintomas das doenças crônicas estão, fadiga intensa, os pacientes já acordam cansados, exaustos, depressão, fraqueza muscular, dores articulares, disfunção intestinal, dores generalizadas, quantas vezes que os portadores das doenças crônicas, mal consegue resistir ao peso do seu corpo, a impressão é de que estamos carregando o mundo nas costas.

Como portador e fazendo tratamento há três anos, tem dias, que minha única vontade é de ficar deitado, esperando as dores passar, a fadiga, o cansaço é inexplicável. Mas fica uma pergunta, o que todo este assunto tem a ver com a gravidez? Aproximadamente a cinco meses, meu filho nasceu, um bebê lindo, um milagre de Deus chegou em nosso lar, como relatei em um dos artigos passado.

Espondilite Anquilosante, Doença de Crohn, Cardiopatia e Gravidez https://wallacevlog.com/2017/07/26/espondilite-anquilosante-doenca-de-crohn-cardiopatia-e-gravidez/

Durante a gravidez da minha esposa veio muitas preocupações, pois a gravidez era de alto risco. Em março nasceu o Daniel, os trinta primeiros dias foram exaustivos, que criança é uma bênção, uma alegria todo mundo sabe, mas vieram as cólicas do bebê, meus problemas de saúde, que não dava uma trégua. Após o parto veio um cansaço extremo sobre minha esposa, acordando a cada duas horas para a amamentação, as cólicas do Daniel, noites mal dormida, até mesmo quando o bebê estava dormindo, qualquer barulho, mínimo que fosse era necessário para acordar minha esposa, ela acordava assustada, pensando como estaria o bebê, me esforcei o máximo que pude e ainda vou muito além dos meus limites para ajudar minha esposa e meu filho.

Minha esposa teve parto normal, a cardiopatia (Tetralogia de Fallot) não lhe trouxe nenhuma dificuldade durante o parto e nem depois do parto, graças a Deus! Havia dias que estávamos no nosso limite, minha sogra algumas noites dormiu aqui em casa para nos ajudar, agora quase chegando aos cinco meses as coisas estão mais tranquilas.

Os médicos sempre afirmam gravidez não é doença, concordo com eles, mas junto com a gravidez vem muitas transformações no corpo da mulher, vem o enjoo, náuseas, as dores, o cansaço, hora muito sono, outros momentos insônias, não encontra uma posição na cama confortável para dormir e ainda muitas trabalham fora de casa, e quando chegam do trabalho arrumam tempo para dar uma geral na casa, outras são donas de casas com um trabalho que nunca acabam, parece que cada dia que passa, o serviço dentro de casa multiplica, gravidez não é doença, mas é um momento em que o corpo das mulheres passam por muitas transformações.

Gravidez e doenças crônicas
Gravidez e Doenças Crônicas

Um dia passando muito mal, por causa da Espondilite Anquilosante e a Doença de Crohn, mal consegui sair dá cama de tantas dores, então comecei a pensar e se a minha esposa fosse portadora dessas doenças, além das limitações da doença, juntaria o cuidado com o bebê, teria que parar com muitas das medicações durante a gestação e depois durante a amamentação, no terceiro e no quarto mês de vida do Daniel, ela estava acordando de hora em hora durante a madrugada para amamentar.

Comecei a me perguntar como que era a gravidez das mulheres portadoras de doenças crônicas, me coloquei no lugar de minha esposa, também me coloquei no lugar de todas as mulheres que vivem está batalha diária. Bom seria se todos os esposos se colocassem no lugar de suas esposas, portadoras de doenças crônicas ou não portadoras, e fizessem o possível e o impossível para ajudar suas esposas.

Aqui em casa troco fraldinhas, limpo, xixi, cocô, troco as roupinhas, as cinco da manhã o Daniel acorda, levo ele para sala para brincar e deixo minha esposa dormir até mais tarde para descansar. Que bom também seria se os familiares se colocassem no lugar dessas mamães e ao invés de fazer críticas, procurarem a entender as doenças, limitações, depressão, medo, insegurança, quantas são as noites que essas mamães guerreiras passam em claro, com dores, cuidando de seus bebês, o primeiro mês foi o mais difícil, cheguei a me questionar se eu e minha esposa daríamos conta de sermos papai e mamãe, hoje temos a certeza que Deus nos confiou este lindo presente, não porque fôssemos capazes, mas para nos capacitar e fortalecer dia após dia.

Um fato interessante é que a maioria das mulheres portadoras de doenças crônicas, no período de gestação, a doença entra em remissão, é como se elas não tivesse nenhuma doença, mas muita da vezes tem uma piora após o parto, os especialistas orientam que o momento ideal para gravidez é o momento em que a doença não esta em atividade. O planejamento e o acompanhamento com os médicos especialistas são indispensáveis, seguir as orientações dos médicos e ajustar as medicações são fatores muito importante, muitas mulheres tem uma piora durante a gravidez, algumas sofrem  aborto espontâneo, cada caso é um caso, minha esposa fez cirurgia de Tetralogia de Fallot quando criança, estava fazendo acompanhamento de gravidez de alto risco, teve uma gravidez super tranquila em comparação as mulheres que não possui nenhum problema de saúde.

Pós-parto

Uma questão que queremos abordar neste artigo é o pós-parto,  quando  as mamães estão cuidando de seus bebês e a doença entra em atividade, e essas mamães são chamada de fracas, muitos dizem que estão fazendo corpo mole e não sabe das dores e batalhas que elas estão enfrentando, mesmo com dores, fadiga, cansaço físico e psicológico, uma batalha é travada todos os dias, cuidar de um bebê com a saúde perfeita, já é uma responsabilidade muito grande e não é uma tarefa fácil, agora se coloquem no lugar destas mamães portadora de doenças crônicas, as dores do parto passam, as dores das doenças crônicas e autoimunes continuam, amamentar, colocar o bebê para rotar, cólicas que duram em média de três horas, trocar as fraldinhas, banho, o bebê é 100% dependente das mamães e dos papais, por mais que os esposos ajudem, tem tarefas que só a mamãe que pode fazer, como por exemplo a amamentação, muitas das mulheres optam pela amamentação materna até o sexto mês, durante este período algumas medicações são alteradas ou até mesmo suspensa.

O objetivo deste artigo é mostrar a realidade destas mamães e se perguntarmos a cada uma delas se valeu apena, a resposta imediata de quem estar com um presente maravilhoso de Deus nos braços, é, sim vale apena todas as dores, sofrimentos, ansiedade, pois quando você está com seu filhinho ou filhinha nos braços, aquele sorrisinho perfeito e tão sincero, te fará esquecer de todo sofrimento, ansiedade, medo, o que ficará agora é a certeza de esperança e de um novo recomeço…

Neste momento estarei relatando o depoimento de uma mamãe…

Letícia Antunes Dos Santos
Letícia Antunes Dos Santos

Letícia Antunes Dos Santos

Eu sou portadora de Espondilite Anquilosante, fibromialgia e depressão, além de uma hérnia de disco na região lombar. Quando engravidei sabia apenas da hérnia de disco na região lombar, e foi uma batalha e tanto até o fim da gravidez. Há um ano e meio faço tratamento com o reumatologista e ele sempre fala na possibilidade de uma nova gravidez, eu apenas teria que parar com algumas medicações, mas ele também não garante que seria menos sofrida!😐

No meu caso não sabia da doença e meu médico nem desconfiou. Foram meses de dor intensa, ajuda para levantar e deitar, até para ir ao banheiro, perda de líquido amniótico, depressão (porque sentir dor o tempo todo tentando gerar uma vida é ainda pior e muitas internações). Cheguei a ouvir do médico que eu era manhosa!😮 … O melhor foi a cara dele quando voltei no consultório dele dois anos depois com o meu diagnóstico! A cara dele de fracasso e descaso ao cuidar de uma paciente. E olha que ele é um dos obstetras mais conceituados da minha cidade e estava achando que estava sendo o melhor que podia pra mim, e na verdade estava mesmo. A questão é que nem ele estava preparado para isso.

Na época eu nunca tinha ouvido falar de EA, tinha uma suspeita de reumatismo, e o que foi mais encaixado no diagnóstico foi a disfunção da bacia, a bacia sair fora do lugar durante a gravidez. Mas enfim, hoje tenho a minha Princesa com 3 aninhos e passaria por tudo de novo para tê-la em meus braços! Mas claro, se fosse com diagnóstico e tratamento certo seria ainda melhor!…Rsrs.

Sempre que tenho a oportunidade falo sobre o assunto, para que outras pessoas não passem pela mesma situação! É claro, que não acaba quando a criança nasce! Vem a luta para cuidar de uma bebê entre tantas dores e poucos remédios, passei os dois primeiro anos só com acupuntura e muitas vezes não conseguia levantar o braço ou colocar os pés no chão, foram muitos dias deitadas com a bebê do lado, amamentando só de lado, uma bebê que não aceitou mamadeira de jeito nenhum, preferia dormir com fome. O resultado foi uma depressão profunda e energias esgotadas de tanto lutar contra a incapacidade de cuidar de um ser tão frágil. Até hoje ouço piadas do tipo que queria jogar minha filha pela janela. Mas enfim… No fim deu tudo certo! Conseguir segurar até ela completar 2 anos para começar o primeiro tratamento.

Finalizando este artigo assim como Letícia Antunes Dos Santos, muitas mamães passam por situações semelhantes, dos médicos acharem que a gestante é manhosa, que estão fazendo corpo mole, situações como esta é muito comum acontecerem, muitas das vezes a família que não compreende a situação, as dores sem fim, eu fiquei 6 anos ouvindo dos médicos que eu não tinha nada, que era psicológico, a família achando que é frescura e depois do nada uma enxurrada de doenças foram diagnosticada, muitas das vezes vem até mesmo o sentimento de incapacidade de cuidar do bebê, eu senti isto na pele no primeiro mês, cheguei a pensar será que vou ser capaz de ser pai? Por causa das minhas limitações a respeito das doenças.

Hoje posso responder que sim, Deus me capacitou para ser o melhor pai do mundo, pois não me tornei apenas pai, eu também voltei a ser criança, a brincar de esconde, esconde, de carrinho, hoje acordo e durmo pensando em brincar e abraçar meu filhote e sou um papai muito coruja, que é capaz de tudo pelo bem estar do meu filho.

Tem muitos papais que são nota 10, que compreende suas esposas e se esforçam no máximo que pode, eu assisti cada segundo do parto da minha esposa, o parto dela foi induzido, presenciei toda dor que ela sentiu para dar a luz ao nosso filho, no final a resposta dela foi; passaria por tudo de novo, valeu apena tudo que passei, a resposta da minha mais nova amiga Letícia Antunes Dos Santos, “Mas enfim, hoje tenho a minha Princesa com 3 aninhos e Passaria por tudo de novo para tê-la em meus braços!”

Se você tem uma doença crônica e tem o sonho de ser mãe por mais difícil que pareça, converse com o seu médico, se informe, pesquise, e você conhecerá exemplos de muitas mamães vitoriosas, e se você perguntar a elas se valeu apena passar por todas as situações, a resposta é sim, valeu apena. Grande parte das doenças crônicas não é nenhum empecilho para uma mulher engravidar, sempre lembrando que a melhor pessoa para te passar todas as orientações é o médico especialista na doença, pesquisei muitas fontes seguras em artigos científicos e sites de confiança, vários exemplos de mulheres, nas mais diversas doenças, que teve o sonho de ser mãe realizado.

Quem sou eu para falar de um assunto tão sério como este? Nunca passarei pela experiência de gerar um filho, mas com todo o sofrimento que já passei, apreendi a me colocar no lugar do meu próximo, apreendi a sentir as dores e o sofrimento das pessoas, quando o ser humano aprendi isto, o mundo fica um lugar bem melhor para se viver….

Um forte abraço a todos…

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Att: Papai Desafinado

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