Existe vida após a Espondilite Anquilosante?

 

Por mais difícil que seja no início, a vida continua após o diagnóstico de espondilite. No início tudo é novo, um mistério a ser desvendado.

Por que eu? O que é espondilite anquilosante? Tem cura? Vou ficar livre das dores? Qual é o tratamento? Vou morrer?

São tantas perguntas que surgi junto com o diagnóstico, que os médicos devem passar até um aperto para dar conta de responder todas as perguntas e ao mesmo tempo se preocupando com os pacientes do lado de fora do consultório na fila de espera.

Eu particularmente ficava em média de uma hora à uma hora e meia no consultório com minha médica, até quando espirrava, ficava preocupado se era culpa da EA.

_ “E cá pra nós, quando um espondilítico espirra, parece que a coluna dele quebra no meio, é, uma dor terrível!” Ha, ha, ha!

Em meio a tantas dúvidas, comecei a buscar a resposta de todas as perguntas. Além de batalhar contra a Espondilite anquilosante, iniciou uma batalha contra a depressão e a ansiedade, sem falar da fibromialgia e a doença de Crohn.

Existe vida após a Espondilite anquilosante? A resposta é sim, a vida continua.

A espondilite anquilosante é uma doença que requer muitos cuidados, mas a depressão e a ansiedade se tornam vilões piores do que a própria espondilite em si. Por que eu afirmo isto? É porque eu desisti da fisioterapia quatro vezes, desisti de tratar a espondilite várias vezes, comecei vários tipos de atividades físicas e em menos de um mês desistia de tudo, o medo, a angústia a vontade de morrer, tudo me levava a desistir, a desistir do tratamento, a desistir da vida, desistir de lutar, quantas foram às vezes que chorei e chorei muito com uma injeção de Humira na mão e a única coisa que eu pensava era em desistir. Quantas foram às vezes que pensei em jogar minhas injeções de humira fora, junto com todos os outros medicamentos.

Para mim a vida acabou após a Espondilite anquilosante, foi quando descobri que além do tratamento para espondilite, também precisava de um apoio psicológico, procurei ajuda de um psicologo e um psiquiatra, e, para a boa sorte do meu tratamento o meu psiquiatra tinha um paciente portador de espondilite anquilosante, doença de crohn e psoríase. Foi quando fiquei animado em fazer o acompanhamento psiquiátrico, o número de vezes que cheguei a um consultório médico dizendo que era portador de espondilite e doença de crohn, e, os médicos ficavam com cara de paisagem sem ter a mínima ideia do que eu estava falando, não é brincadeira.

Uma vez cheguei ao o hospital e o médico perguntou que remédio eu queria tomar para aliviar a dor. Foram situações assim que me fez desistir do tratamento inúmeras vezes.

Mas cheguei a conclusão que para tratar a espondilite anquilosante, precisava primeiro tratar a depressão, pois senão, continuaria desistindo e minha saúde piorando. Sei que não é só os portadores de espondilite anquilosante, mas todos os portadores de doenças crônicas ou não crônicas, vivem este dilema.

Alguns são mais fortes para enfrentar as dores e o diagnóstico, outros se desesperam entram em pânico diante do diagnóstico, mas a verdade é que com o passar do tempo descobrimos o quanto somos fortes e quantas batalhas enfrentamos todas as semanas.

Eu sei que sou mais forte que a espondilite anquilosante e que a vida continua após o diagnóstico, mas está semana em especial me sinto muito triste e fraco, as vezes acho que não vou vencer. Meu filho de apenas oito meses é a minha maior motivação para lutar pela vida, continuar os tratamentos, tomar os remédios nas horas certas.

Mas o grande problema que muitas das vezes é mais forte do que eu e a espondilite anquilosante junto, é a bendita da depressão, achei que estava livre dela, mas pelo visto ela apenas me enganou por alguns dias, me dando a sensação de que estava livre.

Transtorno de Ansiedade Generalizada - Papai Desafinado
Depressão e Ansiedade

Eu sempre começo um artigo e nunca sei como ele vai terminar, já que eu escrevo um pouco cada dia e nunca sei como vai ser o dia de amanhã, já faz mais de uma semana desde o primeiro parágrafo deste post, estava super animado. Hoje mesmo com o coração angustiado e uma tristeza profunda, tenho esperança de que dias melhores viram.

Encerro este artigo afirmando que existe vida após o diagnóstico de Espondilite anquilosante, fácil não é! “Mas precisamos apreender a viver um dia de cada vez”. Nossa vida é cheia de altos e baixos, já tem mais de três anos que estou nesta luta, outros amigos a mais de décadas, alguns choramos pela perda tão repentina. Enquanto tivermos um fôlego de vida dentro de nós, precisamos continuar lutando, o futuro só Deus sabe.

O presente, o presente é a vida que nós temos e que continua após o diagnóstico da Espondilite anquilosante. Fiquem com Deus e estamos juntos nesta batalha!

 Att: Papai Desafinado

 

4 comentários em “Existe vida após a Espondilite Anquilosante?

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  1. Sim, existe vida após a Espondilite, mas, outra vida. Não a que tínhamos, estamos limitados , assim que me sinto. A depressão e a ansiedade me consomem dia após dia. Já faço acompanhamento psiquiátrico há cinco anos, pois tenho tbm fibromialgia. Não tenho perspectiva de nada.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Débora além da EA, também tenho Depressão, Transtorno de ansiedade e fibromialgia, como você mesmo disse, a vida que temos agora não é mais a mesma que tinhamos antes do diagnóstico, ninguém melhor para entender nossos dores como nós mesmo, poder conversar com outros portadores de EA, é muito bom pois estamos conversando com pessoas que entendem nossas dores, sei bem o que você está passando, mas nunca podemos perder as esperanças, hoje mesmo estou sentindo muitas dores,mas estou com o coração mais confortável… Abraços Deus te abençoe grandemente no tratamento…

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